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Resende, José Humberto Cardoso -Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital dos Servidores do Estado HSE - MS - RJ
A técnica para gigantomastia consiste em uma marcação prévia do "w" em posição ideal e confecção de um retalho mediano, com pedículo superior para enchimento da mama. Há vantagem de poder ser utilizada para qualquer tipo de gigantismo mamário, pois o cirurgião não irá incomodar-se com o tamanho da peça operatória a ser retirada, além da facilidade de montagem da mama restante após a amputação da peça operatória .
Gigantomastia é o termo utilizado para definir as hipertrofias mamárias gigantes, que ultrapassam os volumes convencionais. Impossibilita a utilização de técnicas usuais com o aproveitamento do pedículo vascular que nutre o complexo aréolo-papilar, devido ao risco de dobra do pedículo com a possibilidade de sofrimento ou necrose do complexo.
As hipertrofias podem ser classificadas em graus I, II, III e IV. A gigantomastia ultrapassa a classificação IV de hipertrofias. Muitos cirurgiões têm o hábito de considerar as grandes hipertrofias como gigantomastias. Preferimos deixar para classificar como gigantomastias apenas os casos onde não seria indicado o aproveitamento do pedículo aréolo-papilar e com indicação de enxerto livre. O que caracteriza a gigantomastia: volume exagerado de mama; distância longa entre o terço medial de clavícula e a borda do complexo areolar e a desproporção da glândula e o restante do corpo, mesmo nos casos de obesidade mórbida.
Não muito raro, nos dias atuais, aparecem casos nos ambulatórios e consultórios médicos de senhoras com mamas com aspecto deformado, que fogem dos números existentes de sutiãs acima do nº 54, com dificuldade de deambulação, defeito de postura, às vezes, causando distúrbios respiratórios, além de problemas psicológicos por má qualidade de vida e relacionamento social.
Não muito raro, nos dias atuais, aparecem casos nos ambulatórios e consultórios médicos de senhoras com mamas com aspecto deformado, que fogem dos números existentes de sutiãs acima do nº 54, com dificuldade de deambulação, defeito de postura, às vezes, causando distúrbios respiratórios, além de problemas psicológicos por má qualidade de vida e relacionamento social.
Os casos mais antigos, muitas vezes, eram tratados em dois ou mais tempos cirúrgicos, o que acarretava maior período de hospitalização, múltiplas internações e prejuízo econômico.
O que precisamos deixar claro é que não devemos aplicar a técnica para a correção da gigantomastia como rotina e nem para casos de hipertrofias, onde não é concebível não aproveitar o pedículo do complexo aréolo-papilar. O que nos faz indicar a técnica apresentada para a gigantomastia baseada na amputação do excesso glandular é a segurança, a facilidade de execução, o resultado imediato e a diminuição de complicações e necroses.
Teremos casos de ginecomastia (masculina) gigantes, comuns em obesidade mórbida, no sexo masculino seguida de grande emagrecimento. Para esses casos gigantoginecomastias muitas vezes não é necessário a enxertia da aréola, aproveitando o próprio pedículo vascular.
As causas mais comuns de gigantomastias estão relacionadas a: obesidade; distúrbios glandulares; menopausa precoce; hipertrofia virginal ou puberal; hipertrofia pós gravidez, diabete; fator hereditário e distúrbios emocionais.
Ilustres professores têm contribuído para dar às pacientes melhores resultados cirúrgicos, e nesta listagem, da qual nos penitenciaremos pelo possível esquecimento de nomes não menos importantes, citamos: Thomas Gaillard, 1892; Greennard, 1903; Morestin, 1907; Dufourmentel, 1911; Thorek, 1921; Lexor e Kraske, 1923; Lotsch e Gohrbandt, 1923; Hollander, 1924; Joseph, 1925; Parsot, 1925; Biesemberger, 1928; Nedkoff, 1928; Gillies-Maindoe, 1929; Schuwartzmann, 1930; Anfricht, 1948; Banes, 1949; Corwayn, 1952; Malbec, 1953; Arié, 1957; Longave, 1959; Pitanguy, 1959 - 1960; Strömbeck, 1960; Tamerin, 1960; Mouly, 1961; Skoog, 1963; Marino, 1963; Sinder, 1969; McKissock, 1971; Garcia Padrom, 1972; Hinderer e Meise, 1972; Elbaz, 1972; Lalardrie, 1972; Meyer, 1972; Weiner, 1973; Regnault, 1974; L. Ribeiro, 1975; Resende, 1980; Peixoto, 1980; Bozola, 1982; Ribeiro, 1989; Martins, 1994; Souza Pinto, 1995 e outros. A partir de 1980 foram apresentadas algumas variantes de técnicas já existentes, mas poucas são adaptadas para a correção da gigantomastia , e sim para as hipertrofias. Para a correção das hipertrofias mamárias utilizamos os termos mastoplastia ou mamaplastia. Para as gigantomastias podemos utilizar os termos: gigantoplastia mamária ou cura cirúrgica da gigantomastia.
Nos últimos vinte anos houve grande evolução de táticas e técnicas como a cicatriz em "L", a peri-areolar e as cicatrizes verticais e horizontais, não aplicadas ao gigantismo mamário onde as peças operatórias ultrapassam os 4 Kg de extirpação. O caso relatado de maior peça operatória foi com 32 Kg de peças mamárias, retiradas, em duas etapas, de uma mesma paciente.
Descrevemos a técnica mais utilizada por nós, há 20 anos, e com melhor resultado pós-operatório imediato.
(Figs. 1 à 10 )

Técnica para Gigantomastia
As condutas são comuns às de outras cirurgias, mas, nesses casos, devemos ter enfermagem treinada em lidar com pacientes obesos. A alta varia entre 48 à 72 horas, os pontos serão retirados entre o 10º e o 21º dia. Normalmente deixamos drenos por 24 horas e o curativo deverá ser trocado em dias alternados. Os cuidados para evitar o quelóide devem ser empregados e o sutiã deve ser mantido por 2 meses.
Apresentamos alguns casos nas figuras nº 11 à 21 de pré e pós-operatórios.
A vantagem da técnica de amputação está na redução do número de cirurgias, no formato imediato das mamas, na recuperação pós-operatória e na volta ao convívio social imediato.

Figura 11 - Pré-operatório de Gigantomastia Peça Operatória - 8 Kg

Figura 12 - Pós-operatório após 30 dias

Figura 13 - Pré-operatório de perfil

Figura 14 - Pós-operatório de perfil

Figura 15 - Paciente Pós-emagrecimento de 40 Kg Peso 160 Kg

Figura 16 - Paciente pós-primeira Gigantomastia 32 Kg de Peça Operatória

Figura 17 - Pós-operatório após 3 anos. Peças operatórias:
Mamas - 32 Kg. Abdome - 12 Kg. Vulva - 500 g. Coxas - 4 Kg .

Figura 18 - Pré-operatório de Gigantomastia
Peça operatória - 10 Kg

Figura 19 - Pós-operatório após 4 dias

Figura 20 - Pré-operatório em oblíqua

Figura 21 - Pós-operatório em oblíqua
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