Você está em: Home >>>> Profissionais de Saúde >>>> Revista Médica >>>> Volume 36 - Números 2/3 - Abril a Setembro de 2002 >>>> Tratamento Cirúrgico da Doença do Refluxo Gastro-esofágico Não Complicada
Bruno Sampaio Nunes Sarmento
Daltro Ibiapina de Oliveira
O presente estudo tem por objetivo descrever e analisar os resultados pós-operatórios do tratamento cirúrgico instituído em uma série de 13 pacientes portadores de Doença do Refluxo Gastro-Esofágico (DRGE) não complicada associada a hérnia hiatal tipo I no Serviço de Cirurgia Geral 2 do Hospital dos Servidores do Estado no período de agosto de 2000 a dezembro de 2001.
Nesse estudo foram analisados retrospectivamente os prontuários de 13 pacientes submetidos a Fundoplicatura de Nissen por via videolaparoscópica e a céu aberto. O critério de avaliação pós-operatória foi a melhora dos sintomas de pirose e regurgitação referidos pelos pacientes e dos achados endoscópicos pós-operatórios em 04 doentes.
O autor conclui que a fundoplicatura de Nissen é um método eficaz na melhoria do quadro clínico da DRGE.
This study aims to describe and analyze the results of surgical treatment of 13 patients with uncomplicated gastro-esophageal reflux disease with hiatal hernia on General Surgery Service of Hospital dos Servidores do Estado in Rio de Janeiro from A ugust, 2000 to December,2001.
This is a retrospective study of 13 patients who undergone laparoscopic Nissen fundoplication and open Nissen fundoplicati011. The outcome was evaluated based in the improvement of the symptoms and endoscopic signs of esophagitis.
The author concludes that Nissen fundoplication is na effective procedure for patients with uncomplicated gastroesophageal reflux disease.
A Doença do refluxo gastro-esofágico (DRGE) é uma patologia multifatorial bastante comum, cerca de vinte por cento da população adulta nos Estados Unidos refere episódios semanais de azia e entre sete e dez por dento refere sintomas diários. A maior parte dos pacientes é portadora de DRGE de grau leve, enquanto que uma minoria desenvolve danos à mucosa esofágica (esofagite de refluxo) e complicações mais severas.
Há uma série de fatores que, isoladamente ou em combinação, contribui para a gênese e a severidade da DRGE, dentre eles podem ser enumerados, principalmente:
O presente estudo tem por objetivo descrever e analisar os resultados pós-operatórios do tratamento cirúrgico instituído em uma série de 13 pacientes portadores de DRGE associada a hérnia hiatal no Serviço de Cirurgia Geral II do Hospital dos Servidores do Estado.
Foram estudados 13 pacientes portadores de DRGE os quais foram tratados cirurgicamente no Serviço de Cirurgia Geral II do HSE no período de agosto de 2000 a dezembro de 2001.
A idade dos pacientes variou de 28 a 68 anos (Tabela 1) com maior freqüência entre 50 a 59 anos (38,4 %), sendo 09 do sexo feminino e 04 do sexo masculino.
O diagnóstico de DRGE associado à hérnia hiatal foi estabelecido com base nos dados de anamnese (Tabela 2), do exame radiológico contrastado - em 05 pacientes - e da endoscopia digestiva alta. Todos os doentes, com exceção de 01 (7,68%), apresentaram hérnias hiatais tipo I diagnosticada, indiretamente, pela endoscopia alta e pelo estudo radiológico contrastado realizado em 05 doentes.
A indicação da intervenção cirúrgica baseou-se nos aspectos seguintes: na falha do tratamento clínico (agente procinético associado a antagonista de receptores H2); na impossibilipade de seguir o tratamento clínico por parte do doente; e no desejo do paciente em fazer tratamento cirúrgico.
A endoscopia digestiva alta usada como instrumento diagnóstico evidenciou esofagite de refluxo em todos os pacientes estudados. Nenhum dos pacientes apresentou displasia severa da mucosa esofágica identificada através de biópsia feita à endoscopia. Dentre os doentes estudados nenhum tinha complicações da DRGE como estenose do esôfago, peri-esofagite ou encurtamento do esôfago terminal.
O tratamento cirúrgico realizado em onze doentes consistiu em fundoplicatura de 3600 de Nissen feita por via videolaparoscópica. Em dois doentes a fundoplicatura de Nissen foi feita pela técnica convencional a céu aberto. Em um dos pacientes inicialmente operado por via videolaparoscópica foi necessária uma laparotomia para re-confecção da fundoplicatura, pois o paciente apresentou disfagia persistente no pós-operatório. Um dos pacientes inicialmente operado por via aberta necessitou de re-laparotomia e revisão da fundoplicatura, pois seguiu com queixas de pirose pós-operatória.
A confecção da fundoplicatura de Nissen foi executada de modo satisfatório tanto nos pacientes operados pela via aberta quanto nos quais usou-se a videolaparoscopia. Em dois doentes foi necessária a esplenectomia devido a lesões inadvertidas da cápsula esplênica, nas quais não foi obtida hemostasia adequada por outros meios.
| Idade dos pacientes | Porcentagem |
|---|---|
| 20 - 29 anos | 7,68% |
| 30 - 39 anos | 15,36% |
| 40 - 49 anos | 23,04% |
| 50 - 59 anos | 38,4% |
| 60 - 69 anos | 15,36% |
| Quadro Clínico | Porcentagem |
|---|---|
| Pirose | 91,16% |
| Regurgitação | 84,48% |
| Disfagia | 60,48% |
| Anemia | 38,4% |
Nove (68,4%) dos pacientes estudados referiram dificuldade pós-operatória de eructar. Três (22.8%) relataram disfagia transitória após a cirurgia. Um doente apresentou disfagia pós-operatória permanente e necessitoú de nova intervenção cirúrgica para revisão da fundoplicatura. Em um paciente não foi observada a melhora dos sintomas de refluxo, sendo necessária re-operação para nova confecção da fundoplicatura. Todos os demais evoluíram com melhora sintomática significativa não mais apresentando sintomas de DRGE.
A DGRE é o problema relacionado ao esôfago mais freqüentemente visto nos consultórios de gastroenterologia. A maioria dos pacientes é portadora de doença leve e não complicada, sendo beneficiada por tratamento conservador com medicações sintomáticas e mudanças comportamentais. Elevação da cabeceira do leito, perda ponderal em obesos, estímulo a dietas protéicas e hipograxas tendem a aliviar os sintomas daqueles com DRGE de grau leve.
Por outro lado, o uso de antagonista de receptor H2 associado a procinético, ou ainda, de bloqueadores de bomba de próton tem se mostrado eficiente na inibição da secreção ácida e na melhora dos sintomas de pacientes com DRGE mais severa.
Uma falha inerente ao tratamento clínico é que esse não corrige o fator causal da DRGE, assim, quando o tratamento é interrompido, há re-exacerbação do quadro clínico. Nesse estudo todos os pacientes selecionados para a cirurgia não obtiveram melhora clínica satisfatória com o tratamento medicamentoso.
Quatro desses doentes não dispunham de recursos financeiros para manter o tratamento conservador optando inicialmente pela operação. Todos os pacientes se tomaram as sintomáticos após o tratamento cirúrgico. Em 04 doentes foram feitas endoscopias digestivas altas para controle pós-operatório através das quais foi observada objetivamente a melhoria do quadro de esofagite de refluxo.
Houve remissão do quadro clínico e endoscópico nos 13 pacientes submetidos a Fundoplicatura de Nissen para tratamento da DRGE.
O H.F.S.E.. , dispõe de 1 Serviço de Cirurgia Geral, localizado nos oitavo e nono andares do prédio principal.
Design e Desenvolvimento: Equipe de Desenvolvimento Web do C.P.D.