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Orientação do serviço de Controle de Infecções Hospitalares

Prevenção e Controle das Infecções relacionadas ao Trato Respiratório

INTRODUÇÃO

O sistema respiratório superior é intensamente colonizado por microbiota normal, enquanto que o inferior é isento de microrganismos.

As infecções respiratórias dependem fundamentalmente de um intercâmbio entre os fatores microbianos e as defesas do hospedeiro.

São consideradas infecções do trato respiratório as pneumonias, as bronquites, as bronquiolites, as traqueobronquites e as traqueítes. A mais freqüente e mais grave, de origem hospitalar, é a pneumonia .

DEFINIÇÃO :

Define-se por pneumonia hospitalar aquela que se manifesta após 72 horas da admissão do paciente. Este limite de tempo não é considerado quando ocorre instrumentação do trato respiratório.

FATORES DE RISCO:

ASPIRAÇÃO DO CONTEÚDO GÁSTRICO OU DA OROFARINGE:

A orofaringe e o estômago são colonizados por bactérias e atuam como reservatórios para as freqüentes invasões bacterianas que acontecem no trato respiratório via microaspirações.

CONTAMINAÇÃO POR EQUIPAMENTOS RESPIRATÓRIOS:

principal fator de risco relacionado à incidência da pneumonia hospitalar é a intubação traqueal.

O uso de nebulizadores é um exemplo da ocorrência de aspiração exógena de bactérias, por levarem aerossóis com bactérias para o ar inspirado.

Outro exemplo é a aspiração de líquido colonizado por bactérias oriundas da cavidade oral no condensado das traquéias dos ventiladores, para dentro da via respiratória.

ALGUNS FATORES ESTAO RELACIONADOS COM O PACIENTE E COM AS INTERVENÇÕES DIAGNÓSTICAS OU TERAPEUTICAS REALIZADAS, COMO:

  • extremos de idade;
  • doença de base grave;
  • imunodepressão;
  • doença cardiopulmonar;
  • hospitalização prolongada;
  • com ou outras alterações do nível de consciência;
  • uso prolongado de antimicrobianos;
  • uso de sedativos e analgésicos depressores do sistema nervoso central;
  • uso de sonda nasogástrica ou nasoenteral (aumentam a incidência de sinusite maxilar, freqüentemente encontrada em pacientes com pneumonia);
  • cirurgias prolongadas como as torácicas e as abdominais.

IMPORTANTE

A origem de muitos casos de pneumonia hospitalar está relacionada com a transmissão por contaminação de mãos dos profissionais, associada a práticas inadequadas de lavagem das mãos e ao uso inapropriado de luvas, e ainda, pelo uso de equipamentos de terapia respiratória com desinfecção inadequada.

MEDIDAS PREVENTIVAS

  • As mãos devem ser lavadas antes e após o contato com pacientes, mesmo após o uso de luvas;
  • Trocar os circuitos respiratórios a cada 48 horas, realizando desinfecção de alto nível (glutaraldeído 2% por 30 minutos) ou esterilização (óxido de etileno ou peróxido de hidrogênio/Sterrad);
  • Limpar rigorosamente todos os equipamentos a serem esterilizados ou desinfetados;
  • Durante a desinfecção os materiais devem permanecer totalmente imersos na solução, incluindo total preenchimento interno das traquéias;
  • Após a desinfecção, enxaguar abundantemente com água estéril, visto que esses materiais serão reutilizados em seguida. Secar com ar comprimido estéril e empacotar imediatamente para não contamina-los durante o processamento;
  • Os equipamentos que serão submetidos à esterilização necessitam apenas limpeza prévia com água e sabão e enxágüe com água corrente;
  • Utilizar somente água estéril nos reservatórios de umidificação dos ventiladores, realizando troca da água a cada 24 horas;
  • Descartar periodicamente qualquer condensado que se acumule no circuito respiratório, tomando-se cuidado para que o mesmo não reflua para o paciente;
  • Nebulizadores devem ter desinfecção adequada e serem enxaguados com água estéril, assim como utilizado somente fluidos estéreis manipulados de maneira antisséptica;
  • Utilizar técnica asséptica para a realização de aspiração traqueal, que somente deve ser realizada quando necessária, pois a sucção freqüente aumenta o risco de infecções cruzadas e traumatismo;
  • Utilizar luvas estéreis durante a aspiração traqueal. Em sistema de aspiração aberto, o cateter deve ser descartável, de uso único. Nunca usar sonda de aspiração oral para aspiração traqueal;
  • A extensão de látex usada na aspiração deve ser trocada a cada 24 horas, realizando a descontaminação com hipoclorito 1%. Depois de lavada e seca deverá ser esterilizada com óxido de etileno;
  • Para fluidificação de secreções, durante a aspiração traqueal, utilizar somente água ou soluções estéreis. Usar um frasco a cada aspiração;
  • Manter o paciente em decúbito de 30 minutos para evitar a aspiração de secreções de orofaringe e resíduo gástrico;
  • Checar a existência de resíduo gástrico antes de administrar dieta;
  • Evitar administração rápida de dietas por sonda;
  • Optar por sondagem enteral em lugar de gástrica;
  • Realizar mobilização precoce e freqüente do paciente no leito;
  • A fisioterapia respiratória deve ser empregada para reduzir o tempo de ventilação mecânica;
  • Os "ambús" depois de lavados e secos, devem ser esterilizados em óxido de etileno ou submetidos a desinfecção com hipoclorito de sódio a 0,5% ou 1% por 30 minutos, e armazenados protegidos . Nunca utilizar o mesmo "ambú" para mais de um paciente .
Note que as informações aqui disponibilizadas são de caráter complementar, não substituindo, em hipótese alguma, as visitas regulares ao médico ! Evite a auto-medicação, consulte, sempre, um profissional devidamente capacitado !
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