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Fábio Cupertino Morínigo
Um país sem memória não é apenas um país sem passado. É um país sem futuro., Rui Barbosa.
O Hospital dos Servidores do Estado está localizado em região rica de fatos históricos desde a época colonial. Não bastando sua existência significar um marco na história da medicina brasileira, tem também o privilégio de ter abrigado heróis brasileiros das grandes guerras mundiais do século XX, nas quais o Brasil teve participação.
Em 1917, na Europa, a guerra se agravava, e o Brasil, apesar de se declarar neutro, teve seus navios mercantes afundados nos litorais francês e espanhol. Intensa campanha nacionalista levou o governo brasileiro a apoiar os Aliados e a declarar estado de guerra contra o Império Alemão. Nessa época grassava grave crise interna, sendo o governo acusado, por Monteiro Lobato, de estar estimulando um nacionalismo guerreiro para esconder o caráter anti-democrático de Venceslau Brás, e desviar a atenção pública dos verdadeiros problemas nacionais, entre eles a precariedade da saúde pública. Na vigência dessa circunstância, o governo brasileiro enviou uma equipe médica para a França, uma esquadra para Dacar, e um grupo de oficiais da Força Aérea para treinamento na Inglaterra.
A grande batalha brasileira foi a travada, por 80 médicos integrantes da equipe enviada para a França, contra a gripe espanhola, chefiada por José Tomás Nabuco de Gouvêa. "Mal o barco se fez ao largo da África subiu a bordo a epidemia da gripe espanhola, atacando todos os membros da missão". Muitos morreram. Na França, além de tratar dos feridos de guerra, os brasileiros se encarregaram de atender as vítimas da mesma epidemia.
Fim da guerra. Inimigos derrotados. "Marchamos sob o Arco do Triunfo no "Défilé de la Victoire", desfraldando a bandeira brasileira, ombro a ombro com os soldados de outras pátrias", segundo relato de Mário Kroeff. Ele foi condecorado com a Cruz de Guerra, a Medalha InterAliada, a Medalha do Pacificador e a do Mérito Tamandaré.
Kroeff, após a Revolução de 1930, amigo pessoal do Presidente da República, exerceu um papel importante na História do H.S.E.. A 9 de maio de 1934 começa a história do Hospital dos Servidores do Estado. O Presidente Getúlio Vargas aproveita recursos provenientes de um Fundo Especial de sobras de um dinheiro arrecadado do funcionalismo público federal, instituído em 1930, para socorrer e amparar os "sem emprego". O Presidente da República decide aplicá-lo na construção de um hospital, sob a denominação de Hospital do Funcionário Público Federal. A 23/02/1938, criado o IPASE, o Hospital passou a se denominar Hospital dos Servidores do Estado.
Nas memórias de Mário Kroeff lemos: "Dez anos se passaram, sempre à volta com as concorrências públicas para a construção, observando rigorosamente o Código de Contabilidade". "O problema foi a obtenção das verbas orçamentárias anuais, ora concedidas, ora negadas, e tudo isso para não fugir ao ritmo habitual das obras. Por mais de um período orçamentário não houve dotação e os trabalhos da construção estiveram paralisados".
Completada a estrutura, o Dr. Mário Kroeff, Diretor do Hospital dos Servidores do Estado, e também Diretor do Serviço Nacional de Câncer, em julho de 1942, dirigiu-se à cidade de Washington com a incumbência de equipar o Hospital dos Servidores do Estado e também de adquirir radium. Visitou instituições científicas americanas e centros hospitalares observando os métodos modernos, e expondo os planos do moderno hospital brasileiro.
Encontrou dificuldades para o atendimento das encomendas, que dependiam de autorização e das prioridades do governo americano, por se tratar de aparelhos fabricados com matérias primas indispensáveis ao esforço de guerra dos Estados Unidos. Contando com a interferência direta do nosso Presidente da República e o apoio de nossa Embaixada em Washington, mostrou que o Hospital amplo e moderno, próximo ao porto, teria condições de participar do apoio ao teatro de operações da Segunda Guerra como a Base Aérea de Natal. O Governo Americano sensibilizou-se e deu licença para compra e exportação do material destinado ao Hospital.
Em outubro de 1943, Mário Kroeff retorna ao Brasil obtendo mais de 80% do material destinado ao Hospital. Ao desembarcar no Rio de Janeiro declara que procurou seguir o aconselhamento do Colégio Americano de Cirurgiões Nesta época também chegou o primeiro carregamento pelo vapor "Midosi", composto de 380 caixotes, seguindo-se mais carregamentos em dois outros navios.
Em suas Memórias afirma: "na fase terminal das obras, com todo o material entregue, com a frente do Hospital ajardinado e a inauguração programada para março de 1946 (aniversário do Governo) o Presidente Vargas foi deposto em 29 de outubro de 1945, o Conselho Administrativo destituído e, com ele, eu também".
A 28 de outubro de 1947 "estando marcada a inauguração, na véspera, o Diretor, Dr. Raymundo de Brito, num gesto de deferência, convidou os componentes do antigo Conselho Administrativo para um almoço de congratulação, no restaurante do Hospital, e uma visita às instalações. Puderam observar a grandiosidade da obra e apreciar o equipamento instalado." "Nessa ocasião informou que foi mandada confeccionar a Placa Comemorativa e recomendado que fosse omitido o nome do Governo anterior".
Em seu discurso inaugural o Dr. Alcides Carneiro, Presidente do IPASE, declarou:
"Logo após ter assumido o governo da República, em janeiro de 1945, o Presidente Dutra tomou as providências necessárias ao prosseguimento dos trabalhos deste hospital, que já estava parcialmente concluído. O que se fez nos últimos 20 meses, transformando em realidade uma das mais dramáticas e incisivas aspirações do funcionalismo..."
Nesta ocasião também discursou o Dr. Raymundo de Brito dizendo: "Não devemos deixar de realçar as pessoas que por aqui passaram e se sacrificaram, sem remuneração de qualquer espécie, e entre estas destacamos Mário Alves, Mário Moraes Paiva, Alberto Borgeth, Ary Azambuja, Ari de Castro Fernandes, Samuel Uchoa e principalmente Mário Kroeff, que tudo deu para o engrandecimento desta Casa...".
Na memória de Mário Kroeff lemos: "como doente, tive a oportunidade de me beneficiar de seus serviços e ver ali que, depois de 25 anos de uso, parte do esplêndido material que escolhi, à dedo, na América do Norte, está em boas condições". "Fora do Conselho, dois homens influíram nessa obra com especial empenho: Luis Simões Lopes, Diretor do DASP, e Getúlio Vargas, que solicitou ao Presidente Roosevelt a concessão do completo instrumental, considerado crítico ao esforço de guerra".
A Segunda Guerra, que beneficiara o equipamento do H.S.E., também possibilitou a oportunidade de vermos ex-combatentes do teatro de operações de guerra da Itália brilharem em suas atividades profissionais no H.S.E..
Dia 1º de setembro de 1939, "começou a guerra" anunciaram as manchetes dos jornais. A Europa dividiu-se: de um lado ficaram as nações totalitárias, Alemanha e Itália; de outro, as democracias liberais comandadas pela França e pela Inglaterra.
O Estado Novo ideologicamente estava mais próximo do fascismo italiano. Por outro lado as relações econômicas colocavam o Brasil na órbita dos Estados Unidos. Durante os dois primeiros anos o Brasil negociava abertamente com os EUA e com a Alemanha. A extensão da guerra, a mudança dos rumos nos acontecimentos com o torpedeamento de navios brasileiros e as ações de espionagem, levaram o governo, em 22 de agosto de 1942, a declarar estado de guerra entre o Brasil e a Alemanha e a Itália, por pressão da opinião pública e reação da juventude brasileira.
Em princípios de 1943 iniciou-se a preparação de uma Força Expedicionária Brasileira para uma participação limitada, porém efetiva e arriscada colaboração no conflito. A força expedicionária partiu para a Itália em escalões sucessivos, sendo o primeiro embarque a 2 de julho de 1944. Destino, o porto de Nápoles.
A Segunda Guerra, que beneficiara o equipamento do H.S.E., também possibilitou a oportunidade de vermos ex-combatentes do teatro de operações de guerra da Itália brilharem em suas atividades profissionais no H.S.E..
As extraordinárias qualidades do soldado brasileiro mostraram capacidade de adaptação e espírito de luta e tenacidade. Após lutas difíceis e prolongadas, terminada a guerra, a FEB retornou ao Brasil em escalões de julho a outubro de 1945.
Entre os pracinhas estavam: Ademar Rodrigues da Silva, Henrique Rodrigues Vieira, José de Lima Batalha, Pedro Abdala, Raymundo Dias Carneiro e Zaly Sampaio Monteiro Câmara, que se tornaram funcionários do H.S.E..
Embarcou no navio transporte americano General Meigs. Na F.E.B esteve no teatro de operações de guerra da Itália, 22/02/45 a 03/10/45. Incorporado ao Depósito de Pessoal 1º Vº Bth Companhia 15º. Condecorado pelo governo brasileiro recebeu a Medalha de Campanha, destinada aos participantes da operação de guerra na Itália.
Admitido em 1947 como motorista. Em 1960 tornou-se Chefe da Secção de Garagem. Fez o Curso de Supervisão para agentes da Reforma Administrativa em 05/70. Aposentou-se em 1981.
No H.S.E. o transporte destinava-se somente à remoção eventual de pacientes sem condições de locomoção. Não havia serviço de atendimento médico domiciliar, mesmo em casos de emergência. O atendimento era sempre hospitalar. O paciente deveria se deslocar com seus próprios meios e recursos para ser atendido no hospital.
1ª. ambulância do Hospital dos Servidores do Estado : BUICK
Convocado em setembro de 1944 serviu no teatro de operação de guerra, na Itália, no 1º RI como sargento padioleiro. Na época cursava o 2º ano de medicina. Uma ocasião recolheu feridos em plena frente de combate, sob uma cortina de fumaça, entre fogos cruzados, na chamada zona de ninguém. Retornou em maio de 1945. Condecorado com a medalha de Campanha, a medalha de Guerra, destinada a premiar aos que prestaram serviços relevantes no esforço de guerra, e a medalha de Combate, concedida aos quem praticaram atos de bravura no desempenho de missões em combate.
Formou-se em medicina em 1947. Fez concurso para médico pediatra em 1951. Aprovado, tornou-se médico do H.S.E.. Dedicou-se à Higiene Infantil. O setor de Higiene Infantil foi o segundo a ser criado no Serviço de Pediatria. O primeiro foi o de Neonatologia. Aquele destina-se a separar as crianças sadias das doentes, atendendo-as à tarde. Promovia as vacinações disponíveis na época, BCG, tríplice (difteria, coqueluche e tétano) e a antivariólica. Cuidava da orientação das mães em trabalho participativo dos médicos-residentes. Cuidou do setor por mais de uma década. Muito afeito à estatística publicou inúmeros trabalhos analisando os resultados do Serviço de Pediatria. Foi membro do Conselho Técnico do H.S.E., em 63/64. Elogiada sua participação e sua dedicação às suas atividades específicas do Conselho. Ocupou a função de Chefe de Clínica Substituto. Aposentou-se em 1968.
Médico em 1928. Convocado como médico cirurgião da FEB no posto de Capitão Médico da Reserva de 2a. classe, em1944. Em setembro de 1944 embarcou em navio de guerra americano – Gen. W. A. Manns – destino teatro de operações de guerra na Itália, integrando a FEB.
Serviu na Secção Brasileira de Hospitalização anexa ao 7º Hospital de Guarnição em LIVORNO, Itália, exercendo a Chefia de Clínica Cirúrgica. Recebeu a condecoração "Meritorius Service Unit Plaque" do Governo Americano. Recebeu do governo brasileiro a condecoração Medalha de Guerra e a Medalha de Campanha.
Anteriormente a guerra exercia atividades docentes de Ortopedia e Cirurgia Infantil da Faculdade de Medicina, hoje UFRJ, e da Escola de Medicina da hoje UNIRIO. No seu retorno da zona de guerra assumiu a Cátedra de Ortopedia na Faculdade de Medicina da hoje UFRJ, e a da Clínica de Cirurgia Pediátrica na Escola de Medicina da hoje UNIRIO.
Em 1947 foi nomeado Chefe de Clínica do Serviço de Ortopedia do H.S.E.. Em 1951 ocupou a Chefia da Divisão Médica do H.S.E., na administração Helson Machado Vieira Cavalcanti. Iniciou-se a ocupação do prédio do Instituto Brasileiro do Café – IBC- , contíguo ao H.S.E., hoje anexo IV. Inauguraram-se amplas instalações para a Divisão Administrativa e órgãos de apoio do H.S.E.. No andar térreo do prédio principal ficou instalada a Drogaria para manipulação de medicamentos.
Nesta ocasião inaugurou-se o busto do Presidente Vargas, no saguão de entrada do hospital, como preito de justiça e gratidão a aquele que foi o grande responsável pela construção do Hospital. O Serviço de Neurologia instalou-se no 2º andar do prédio principal deixando sua denominação inicial de Clínica de Doenças Nervosas para a atual Neurologia.
Em 1960, quando de sua aposentadoria, recebeu elogios pela sua participação e prestimosa colaboração nos vários níveis da administração.
"CHEFES DE CLÍNICAS"
Em pé : da esquerda para a direita: Breno Borborema (Fisioterapia), Aloysio de Salles Fonseca (Clínica Médica), Jorge Dodsworth Martins (Cirurgia de Mulheres), José de Magalhães Carvalho (Pediatria), Paulo Pinheiro de Barros (Ginecologia), Walter Hugo Sandall (Serviço de Material), José de Lima Batalha (Ortopedia e Traumatologia).
Sentados : Aloysio Leopoldo Pereira de Câmara (Neurologia), Theobaldo Vianna (Clínica Médica), Raymundo de Moura Brito (Diretor), Edson Augusto de Almeida (Dermatologia), João Cruz Guimarães(Otorrinolaringologia).
Cursou o CPOR. Era estudante de Medicina quando foi convocado para a FEB. Serviu, no teatro de operação de guerra, como oficial intérprete. Falava francês, inglês, italiano, alemão e romeno. Esteve na Itália de fevereiro a maio de 1945. Embarcou no navio transporte americano General Meigs. Condecorado pelo governo brasileiro com a Medalha de Campanha. Também recebeu condecoração do 5º Exército Americano.
Formou-se médico em 1946. Em 1947 fez concurso de Cirurgia, assemelhado a conquista de uma Cátedra. A banca examinadora era composta por professores universitários. O concurso constava de provas de títulos, prova escrita e prática oral, e para a cirurgia também dissecção em cadáver. Aprovado, iniciou seu exercício profissional em novembro de 1947, no Serviço de Cirurgia de Homens.
Participou da Administração Gennyson Amado, em 1952, como chefe de Gabinete do Diretor. No período 1955/1959 ocupou a presidência da Associação dos funcionários do H.S.E., AS
Nos anos de 58 a 61 teve participação ativa nas atividades científicas do Centro de Estudos e na realização da Assembléia Médica do H.S.E.. Em 1963 ocupou a função de Chefe de Clínica Substituto do Serviço de Cirurgia de Homens.
Em 1958 recebeu a Medalha Cultural Pirajá da Silva conferida pelo Ministério da Saúde, sob patrocínio do Instituto Brasileiro de História da Medicina e do Departamento de Medicina Tropical da Associação Paulista de Medicina, pela notável contribuição no estudo e na luta contra a Esquistossomose Mansoni Americana, no Brasil.
Em várias ocasiões permaneceu semanas, em Aracaju, Vitória, Campina Grande, Teófilo Otoni, Governador Valadares e Caratinga, a convite das Sociedades Médicas locais e também Universidades realizando cirurgias demonstrativas de tratamento da Hipertensão Porta, bem como outras atividades cirúrgicas levando como auxiliar Ivonildo Torquato. Em 64 esteve em Curitiba e Florianópolis, a convite das Universidades, ministrando cursos de técnicas cirúrgicas.
Em 1966 participou da Comissão Técnica da unificação do novo Centro Cirúrgico no 10º andar do H.S.E., presidida por Jorge Dodsworth Martins. Até então cada andar tinha um Centro Cirúrgico próprio de cada clínica. Passou também a integrar o Grupo de Trabalho destinado a estudar e reorganizar o HSE.
Em abril de 1964 foi realizado o primeiro transplante renal da América Latina, no H.S.E., com sucesso, pela equipe liderada por Jayme Landman, do Serviço de Clínica Médica, Pedro Abdalla, da Cirurgia Geral, e Alberto Gentile, do Serviço de Urologia, na Administração Aloysio de Salles Fonseca.
O ato cirúrgico durou nove horas. Foi transplantado um rim de uma criança hidrocefálica, de nove meses, para um rapaz de 18 anos, portador de insuficiência renal crônica, em diálise peritonial e com a imunossupressão. O rim chegou a funcionar vindo a sofrer rejeição aguda, após alguns dias.
O grande problema a enfrentar foi a rejeição e a inexistência do programa de hemodiálise de crônicos. Essa decisão de cirurgia teve dupla finalidade: aproveitar o ureter em drenagem da hidrocefalia, técnica pioneira na época, e aproveitar o rim que iria ser "jogado no balde". Participaram da equipe de cirurgiões: os Drs. Alberto Gentile, Pedro Abdalla, Carlos Rudge, Oscar Régua, Antônio Carlos Cavalcanti e Ivonildo Torquato, e como Anestesista o Dr. Luiz A. M. Sette Câmara. E da equipe clínica: Drs. Jayme Landman, Yussef Bedran, Luis Carlos Leal, Francisco Santino Filho, Roberto Chabo, Wan-der-Lub Barcelos do Amaral, Tufic Simão e Halley Pacheco de Oliveira.
Os transplantes de rins, até então, vinham sendo realizados em sala de cirurgia experimental, em animais. Esta foi a primeira vez que no Brasil, e na América Latina, se realizou em seres humanos.
Em 1961 tornou-se membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Em 1971 Fellow do Colégio Americano de Cirurgiões. Teve grande produção científica com inúmeras publicações em revistas nacionais e estrangeiras. Intensa participação em Seminários, Simpósios, Congressos Nacionais e Internacionais. Era a maior experiência brasileira no tratamento da Hipertensão Porta.
Em 1971 tornou-se Professor Titular de Anatomia da Universidade Federal Fluminense. Em 1973 assumiu a Chefia do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital de Bonsucesso, do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro, deixando o H.S.E..
Convocado em novembro de 1944, serviu no Depósito do Pessoal da FEB. Esteve na Itália de fevereiro a maio de 1945, no teatro de operações de guerra. Foi condecorado com a Medalha de Campanha.
Médico em 1946. Submeteu-se ao concurso para a Cardiologia, classificando-se em 1º lugar. Nomeado a 27/10/47. Em março de 1968 ascendeu à chefia do Serviço de Cardiologia do H.S.E.. Teve importante participação nas várias atividades das Comissões do Centro de Estudos e também no Conselho Técnico do H.S.E..
Foi Diretor do HSE na administração de setembro de 1982 a julho de 1985. Seu principal colaborador foi José Higino Ferreira, chefe da Divisão Médica. Ao assumir a direção prometeu acabar com a ociosidade em alguns setores. Considerou ser inadmissível que seções importantes funcionassem apenas pela manhã e, que equipamentos sofisticados e caros realizassem exames ocasionais, enquanto os convênios sugavam o INAMPS.
Em outubro de 1982 realizou a Assembléia Médica do H.S.E., comemorando seus 35 anos, retomando uma tradição interrompida por dez anos.
Na mesma época foi criado o Programa Integrado de Medicina Nuclear do INAMPS, na Presidência do Prof. Aloysio de Salles Fonseca, sediado no H.S.E. com aparelhagem de medicina nuclear de última geração: gama câmaras de emissão, radiologia digital, ultra-sonografia e tomógrafo computadorizado. Foram tomadas providências no sentido de facilitar o acesso dos contribuintes do sistema previdenciário à moderna medicina, com fornecimento de resultados no prazo máximo de uma semana e, em alguns casos, no mesmo dia, quando antes havia espera até de meses.
A revitalização do hospital representou a satisfação das necessidades da medicina previdenciária, livrando-a do pesado ônus de convênios caríssimos. Houve um avanço dos mais significativos também na área da cardiologia, na investigação diagnóstica e no tratamento cirúrgico.
O Presidente da República, Gen. João Baptista Figueiredo, no mês de dezembro de 1984 inaugurou as novas instalações do Anexo IV, onde passou a funcionar: o Centro de Hemodiálise e Diálise Peritoneal, o Serviço de Micro Cirurgia Reconstrutiva e o Serviço de Doenças Infecto Parasitárias, única Unidade existente na Previdência. Acompanharam o Presidente dois Ministros: o Ministro Chefe da Casa Militar, Rubem Ludwig e o Ministro da Saúde, Waldir Arcoverde. Estavam presentes o Governador Leonel Brizola, o Presidente do INAMPS, Aloysio Salles, o Superintendente Regional, Nildo Aguiar e o Secretário Estadual de Saúde, Eduardo Costa.
Sua produção científica foi intensa resultando publicações em inúmeras revistas médicas. Participou ativamente em Seminários, simpósios, administração de cursos de especialização e também de atualizações. Publicou livros relatando sua experiência profissional. Em1983 pela Editora Atheneu "Conduta diagnóstica e terapêutica em Cardiologia", com a colaboração de António Alves do Couto (AAC) e Marciano de Almeida Carvalho. Também o livro "Endocardite Infecciosa" com a colaboração de AAC e Adrelírio José Rios Gonçalves. Em 1988 editou "Manual de Rotinas da Cardiologia". Ainda pela Atheneu publicou "Semiologia em propedêutica cardiológica" e também "Tromboembolismo Pulmonar", ambos com a colaboração AAC.
Tornou-se Tenente médico do Corpo de Saúde do Exército, em 1939. Capitão médico em 1948, pertenceu ao Quadro Médico do Exército durante 11 anos. Integrante da FEB como combatente no teatro de operações da Itália 03/06/44 a 08/05/45. Condecorado com a Medalha de Guerra e a Medalha de Campanha.
Médico do H.S.E. em 1949. Inicialmente lotado no Serviço de Clínica Médica. Em vista de sua preferência pela Cardiologia passou a compor o estafe do Serviço de Cardiologia.
Numa época em que a Cardiologia existia como integrante da Clínica Médica, no sentido lato, o H.S.E. inovou desmembrando-a. Individualidade que teve por finalidade firmar uma posição no consenso médico. Esta missão coube a Aarão Burlamaqui Benchimol, Professor Assistente da 5a. Cadeira de Clínica Médica (Prof. Luis Capriglione), da Faculdade de Medicina da hoje UFRJ. Designado Aarão para a Chefia de Serviço do Serviço de Cardiologia, trouxe como Chefe de Clínica Murilo Romano Cotrim. Zaly publicou inúmeros trabalhos científicos realizados no Serviço de Cardiologia. Aposentou-se em 1968.
O fascínio exercido pelo H.S.E. leva-me em cada momento a encontrar uma faceta digna de relato. A rememoração de fatos do século findo, e a convivência com alguns relatos pessoais de Raymundo Carneiro e Pedro Abdalla despertou-me a curiosidade de identificar a participação de funcionários do HSE nestes grandes acontecimentos da história brasileira. Os dois não estão mais entre nós. Lancei-me a campo e, conversando com uns e outros, tentei identificar nomes.
Graças a gentileza de Maria do Livramento Alves de Souza pude ter acesso às fichas funcionais selecionando os que realmente constavam como participantes da FEB. Também procurei identificar no Corpo de Enfermagem alguns nomes. Entrevistei duas enfermeiras do grupo inicial que lembraram de nomes de participantes da FEB, mas nenhum no Quadro do H.S.E..
Tento através as narrativas resgatar parte da memória do H.S.E.. Atribuo os lapsos ocorridos ao registro da história oral.
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