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Sonia M. C. Chaves1, Haroldo J. Matos2, Claudia C. Escosteguy2, Paulo Albuquerque3, Bruno B. Tavares4, Marcela S. Correia4, Maria Angélica E. Barros4.
1Gerência de Risco/H.S.E. - R.J.;
2Serviço de Epidemiologia/H.S.E. - R.J.;
3Serviço de Pneumologia do H.U.C.C.F./U.F.R.J.;
4Faculdade de Medicina da Universidade Estácio de Sá.
O Brasil é um país com altas prevalência e incidência de tuberculose (T.B.). Em 2001 foram notificados 81.432 casos novos, correspondendo a uma taxa de incidência de 47,2/100.000. Já em 2005, segundo o Ministério da Saúde, essa taxa aumentou para 60/100.000, com 86.045 notificações. Destas, 9,2% corresponderam ao Estado do Rio de Janeiro .
Dados da Secretaria Municipal de Saúde (S.M.S./RJ) indicam que cerca de 30% das notificações de casos novos de T.B. no município do Rio de Janeiro são originadas de hospitais. Assim, a situação de alta prevalência, somada a uma elevada exposição, torna os profissionais de saúde um segmento com alto risco de infecção pelo bacilo da tuberculose.
A partir desse cenário, em 2005 foi iniciado um estudo envolvendo seis hospitais do município do Rio de Janeiro, coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com dois objetivos: 1) estimar a prevalência da infecção pelo M. tuberculosis entre profissionais de saúde; 2) estimar o risco de T.B. infecção entre os profissionais de saúde, através da viragem tuberculínica.
Os resultados deste estudo entre os profissionais de saúde do Hospital dos Servidores do Estado (H.S.E.) são apresentados neste número do boletim do Serviço de Epidemiologia. No ano de 2005, os profissionais de saúde do HSE foram convidados para participar do estudo. Todos os 589 profissionais que aceitaram participar assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do H.S.E..
Os profissionais foram inoculados no antebraço esquerdo com 2UT de P.P.D. RT23, por técnicos devidamente capacitados. A leitura do teste tuberculínico, aplicado pela técnica de Mantoux foi realizada entre 72 e 96 horas após a inoculação. Todos os participantes também responderam a um breve questionário.
O ponto de corte considerado para resposta positiva foi de 10 mm. ou mais de induração. Todos os profissionais que obtiveram uma resposta negativa na primeira leitura, foram re-inoculados em um intervalo de aproximadamente 15 dias, para avaliação do efeito booster. Os profissionais com resposta negativa na primeira fase do estudo foram procurados um ano depois para retestagem, com o objetivo de se avaliar uma possível viragem tuberculínica.
Entre os 589 profissionais que participaram do estudo, a taxa de prevalência de T.B. infecção ao final de 2005 foi estimada em 52% (Figura 1), considerando tanto a positividade na primeira inoculação (217/589), como uma resposta positiva ao booster (90/372).
Figura 1: Prevalência de T.B. infecção entre 589 profissionais de saúde (HSE, 2005).

Um ano após a realização do segundo P.P.D., uma retestagem foi realizada em 144 (dos 282) profissionais que eram P.P.D. negativos (não reatores/fracos reatores). Na retestagem, 12 apresentaram uma resposta tuberculínica acima de 10 mm., correspondendo a uma taxa de T.B. infecção avaliada pela viragem tuberculínica de 8,3% (Figura 2).
Figura 2. Viragem tuberculínica em 144 profissionais retestados após 1 ano (HSE, 2006).

Os resultados obtidos apontam para uma situação de altas prevalência e incidência de T.B. infecção entre os profissionais de saúde do H.S.E., apresentando resultados comparáveis aos de outros estudos no Brasil e em outros países em desenvolvimento. Portanto, seria de fundamental importância uma conscientização e educação permanente dos profissionais de saúde do H.S.E. no que diz respeito às normas de biossegurança preconizadas pelo M.S., como uma das medidas, dentre outras possíveis, de redução da transmissão intra-hospitalar da T.B..
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