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BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO

Capacitação de profissionais do HSE-RJ na testagem do PPD

 

Azevedo, O.P. 1 ; Almeida, R.L.V. 1 ; Bahiense, A.L.M. 1

1 Serviço de Epidemiologia/HSE-RJ


No ano de 2007, foram detectados 253 casos suspeitos de tuberculose (TB) no Hospital dos Servidores do Estado (HSE). Em 2006, o número de casos suspeitos chegou a 300, e entre estes, 234 foram casos confirmados de TB.

Em continuidade às ações de vigilância à TB no HSE, em agosto de 2006 participamos de um treinamento para a aplicação e leitura de PPD ( purified protein derivative ), com a finalidade de capacitar enfermeiros para a realização de teste tuberculínico visando atender a demanda de pacientes sob investigação de TB.

O teste foi oferecido aos profissionais que exercem suas atividades no hospital; 298 se apresentaram como voluntários e responderam a questionário padrão de investigação para TB. Foi feita a aplicação pela técnica de Mantoux, e 255 retornaram para a leitura do teste. A leitura obedeceu aos parâmetros: menos de 5 mm = não reator, de 5 a 9 mm = fraco reator e acima de 9 mm = forte reator.

A análise apontou 43,1% forte reatores, 25,1% fraco reatores e 31,1% não reatores.

Do total de testados, 26 (10,2 %) eram sintomáticos respiratórios (com tosse há mais de 3 semanas), e entre os sintomáticos respiratórios, 9 (34,6%) eram forte reatores, 7 eram fraco reatores e 10 não reatores (gráfico 1). Os 110 funcionários que apresentaram PPD forte reator foram orientados a buscar avaliação pela Comissão de Saúde do Trabalhador, sendo que apenas 46 o fizeram. Passaram por exame clínico, sendo solicitado RX de tórax para 4 deles, e baciloscopia para um. Após os exames não foram identificados casos de TB pulmonar.

Estudos têm relatado prevalências variadas de PPD forte reator em profissionais de saúde, algumas entre 49% e 68%. A prevalência de infecção por TB estimada para a população em

geral nas Américas (exceto EUA e Canadá) é 25%. Trabalhos realizados em países com prevalência alta de TB relatam que os profissionais de saúde encontram-se sob risco elevado, tanto para infecção, como para adoecimento pela doença. 1 A prevalência de TB-infecção em estudantes de medicina aumenta à medida que se inserem no hospital, aumentando assim o risco de os mesmos evoluírem para tuberculose doença. 2

Portanto, impõe-se a discussão da biossegurança enquanto fator essencial para minimizar o risco de infecção pelo M. tuberculosis em ambientes hospitalares. É de fundamental importância uma conscientização da relevância de implementar ações que visem o controle da TB no hospital. Essas ações incluem medidas de natureza administrativa, de controle ambiental e de proteção respiratória individual. A organização do fluxo de atendimento dos sintomáticos respiratórios, o uso de equipamento de proteção individual quando indicado, a avaliação de contatos, o estabelecimento de quartos de isolamento em pontos estratégicos e divulgação das normas de isolamento para os sintomáticos respiratórios, a realização de inquérito tuberculínico nos profissionais de saúde estão entre as medidas a serem implementadas. A capacitação e a educação permanente dos profissionais de saúde são estratégias primordiais.

 

¹ Andrade MKN. Avaliação do risco de tuberculose para os profissionais de saúde. Bol. Pneumol. Sanit. 2001; 9(2):17-20.

² Soares LCP, Queiroz Mello FC, Kritski AL. Prevalência da prova tuberculínica entre alunos da graduação da Faculdade de Medicina de Campos, Rio de Janeiro. J Bras Pneumol 2004; 30:440-7.

 


Imagem de gráfico de barras mostrando a Distribuição do resultado do PPD e sintomas respiratórios, HSE, agosto 2006

Fonte: Serviço de Epidemiologia.

 

Note que as informações aqui disponibilizadas são de caráter complementar, não substituindo, em hipótese alguma, as visitas regulares ao médico ! Evite a auto-medicação, consulte, sempre, um profissional devidamente capacitado !
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